24.10.10

ERA UMA VEZ UM PINTOR

"Era uma vez um pintor que havia em Moçambique e cujos quadros fotografavam coisas que sabíamos que eram África, mesmo que nunca tivéssemos estado em África..."































































Da Exposição MALANGATANA, NOVOS SONHOS A PRETO E BRANCO
Centro de Arte Contemporânea, Casa da Cerca, Almada

"(...) as minhas mãos são as únicas armas que tenho para dar esta continuidade para com o país, e não só, para com o mundo. Sou ambicioso neste aspecto, não admito parar de facto, só pararei quando a alma não puder funcionar mais" (Malangatana, 2006)


22.10.10

ESTÁ SENDO

Aquele Outono das memórias,
pincelando luz dourada
sobre os tons quentes e ocres
de paisagens encantadas.

Aquele Outono feito charme,
de mãos dadas passeando
sobre a vida, recordando
céus de fogo, cintilantes.




Está sendo
aquele Outono alaranjado,
De azul feito manto
de réstias, prateado
à sombra do fim do dia.

8.10.10

GEREZ

Ó Gerez do Cabril e Pedra Bela.
coroado de sol, águias reais!
Gerez das altas serras - cidadela
de rochas fortes, morros colossais;

Gerez da Borrageira e da Portela
com horizontes de oiro, magistrais,
e um rio lindo, em risos de aguarela,
a correr entre prados e olivais;

Imponente Gerez, que o céu atinges
em ímpetos de audácia e de grandeza;
- Ó Gerez das paisagens tão estranhas!:

A ti consagro o canto; a ti que cinges
esta amorosa terra portuguesa
no abraço formidável das montanhas!


Matias Lima, Gerez, 1939




3.10.10

UMA APÓS UMA

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam a alva 'spuma
No moreno das praias.




















































Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o 'spaço
Do ar entre as nuvens 'scassas.



































Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco ao meu senso
De se esvair o tempo.

Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada.


















Poema de Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

LENTAMENTE

‎Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho.
Morre lentamente quem evita uma paixão...emoções que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos...sentimentos.
(extractos do texto de Pablo Neruda, Morre Lentamente)

2.10.10

DE ROMPANTE

‎"Um buraco negro é um local onde a gravidade é tão intensa que nada pode escapar-lhe, nem mesmo a luz"
(Hubert Reeves, A hora do deslumbramento)
Eis quando a vida,
de rompante,
rejeitou a gravidade
ao negro abismo.
E de anil vestida,
deslumbrante,
iluminou o caminho
empedrenido.

 

MESMO POR BAIXO DA ESTRELA

"Fixem bem esta paisagem para a poderem reconhecer se um dia fizerem uma viagem a África e forem ao deserto.
Se passarem por esse sítio, suplico-vos, não tenham pressa, fiquem um bocadinho à espera, mesmo por baixo da estrela!"
(O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry)