21.1.11

EM TODOS OS JARDINS

Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.



Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.


Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como um beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.


Sophia de Mello Breyner Andersen, Em todos os jardins

2 comentários:

Campista selvagem disse...

Excelente em todos os pontos de vista.

Alfarrábios de outrora disse...

Eis que a visão imposta por estas fotografias são o universo sem fim; são polém em encanto e perfume; são o horizonte imaginario deste mundo impreciso.
Parabéns Madalena.

Obs. gostaria de enviar-te um e-mail, para apresentação de meus projetos literários : talvez possas orientar-me com tua experiência. Grato.


Sucesso e prosperidade convosco.

Marcelo Portuária.