27.4.10

COMIGO

"Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos e, principalmente, os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!"
Vinicius de Moraes

25.4.10

GOSTO














Gosto dos troncos das árvores, robustos, rompendo a terra onde enraízam a vida, gerando copas fecundas.
Frementes de seiva, são eixos que esgalham  ramos sem rumo, rendilhando de traços o céu e cobrindo a  terra de húmus.

SONHO MEU




Voltar a Moçambique,à Beira e tocar e sentir o cheiro da terra onde nasci.


22.4.10

ISTO VAI, MEUS AMIGOS, ISTO VAI

Isto vai meus amigos isto vai
Um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.













Isto vai meus amigos isto vai
O que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.














Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.














O que é preciso é termos confiança.
Se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
Poema de José Carlos Ary dos Santos, O Futuro




















19.4.10

SOB PRESSÃO

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal
Não tem a lividez sinistra da montanha
Quando a noite a inunda dum manto sem igual
De neve branca e fria onde o luar se banha.














No entanto que fogo, que lavas, a montanha
Oculta no seu seio de lividez fatal!
Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha
A fria neve envolve em seu vestido ideal!

No gelo da indiferença ocultam-se as paixões
Como no gelo frio do cume da montanha
Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…














Assim quando eu te falo alegre, friamente,
Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha
Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!

Florbela Espanca, Vulcões
Fotos do ionline

11.4.10

PROFUSÃO

Depois do Inverno, morte figurada,
A Primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
Miguel Torga, Glória

10.4.10

O JARDIM

"Que doce Vida levo aqui neste lugar!
Maduros pomos me cercam a balouçar;
Voluptuosos cachos, qual miragem,
Na minha boca em vinho se desfazem;
Os damascos e os pêssegos, curiosos,
Para as minhas mãos se estendem, ansiosos;
Tropeço nos melões, meu passo erra,
Enleado em flores caio por terra."

What wondrous life is this I lead!
Ripe apples drop about my head ;
The luscious clusters of the vine
Upon my mouth do crush their wine ;
The nectarine and curious peach
Into my hands themselves do reach ;
Stumbling on melons as I pass,
Insnared with flowers, I fall on grass.
Andrew Marvell, The Garden




9.4.10

QUEM ME DERA

"Quem me dera encontrar o verso puro,
 O verso altivo e forte, estranho e duro,
 Que dissesse a chorar isto que sinto!"

 Florbela Espanca